Classe 20

Estatueta de gesso, resina ou madeira: é classe 20 no INPI?

09 de outubro de 20267 min de leituraDona da Marca
Imagens e estatuetas de gesso, madeira e resina entram na classe 20 da Classificação de Nice, a lista de classes que o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) usa. Quem decide é o material: se a mesma santa for de porcelana ou cerâmica, a classe passa a ser a 21. Quem examina o pedido é o INPI, e a Dona da Marca não garante o resultado.

Onde imagens e estatuetas de gesso, resina e madeira moram no INPI: a classe 20

O INPI organiza produtos e serviços em classes, pela Classificação de Nice. É como a gaveta onde o seu produto fica guardado no registro. Pra imagem, estatueta e escultura, a gaveta é a classe 20.

O texto oficial da classe 20 na Classificação de Nice, publicada pelo INPI, diz: Móveis, espelhos, molduras; recipientes não metálicos para armazenagem ou transporte; osso, chifre, barbatana de baleia ou madrepérola não trabalhados ou semitrabalhados; conchas; sepiolite [espuma-do-mar]; âmbar amarelo.

Repara que o título da classe fala de móveis, e não de estatueta. Quem manda é a lista oficial de produtos da classe, e é nela que o seu item aparece escrito assim:

  • Estatuetas de madeira, cera, gesso ou plástico
  • Estátuas de madeira, cera, gesso ou plástico
  • Obras de arte em madeira, cera, gesso, plástico ou resina
  • Crucifixos de madeira, cera, gesso ou plástico, exceto joias
  • Bustos de madeira, cera, gesso ou plástico
  • Taças para premiação, de madeira, cera, gesso ou plástico

Exemplos do mundo real: imagem sacra de gesso, estatueta de resina, escultura de madeira, crucifixo de madeira. Um detalhe de honestidade: a palavra resina aparece escrita na linha das obras de arte. Nas linhas de estatuetas e estátuas aparece plástico. Na hora de montar o pedido, a gente confere qual redação da lista combina melhor com o que você faz.

Se você não achar na lista o produto exato, o Manual de Marcas prevê uma saída: pagando uma retribuição específica, dá pra fazer uma consulta à Comissão de Classificação do INPI, que responde em qual classe o produto fica (Manual de Marcas do INPI, item 10.1, pág. 355).

A fronteira: quando NÃO é classe 20

Aqui mora a confusão que mais pega gente. Pra imagem, estatueta e escultura, o material manda:

  • Madeira, cera, gesso, resina ou plástico: classe 20
  • Porcelana, cerâmica, argila ou vidro: classe 21
  • Pedra ou mármore: classe 19
  • Metal comum: classe 6
  • Metal precioso: classe 14
  • Papel machê: classe 16

Uma santa de gesso é 20. A mesma santa de porcelana é 21. O troféu segue a mesma regra. Outros vizinhos que enganam: a tábua de corte é classe 21, e o boneco de brinquedo é classe 28.

O texto oficial da classe 21 fala em utensílios e recipientes para casa ou cozinha e artigos de vidro, porcelana e cerâmica. Na lista dela aparecem, por exemplo: Figuras de porcelana, cerâmica, faiança, terracota, argila ou vidro e Estátuas de porcelana, cerâmica, faiança, terracota, argila ou vidro.

Imagina a cena (é hipotética): a Dona Lúcia faz santas de gesso e, pra completar a vitrine, revende algumas de porcelana. Ela registra o nome da loja só na classe 20, porque 'santa é santa'. O pedido cobre o gesso. Mas a parte da porcelana está na 21, e nessa gaveta o nome dela ficou sem pedido.

A consequência prática de errar a classe é uma destas: ficar sem proteção justamente no produto que mais vende, ou ter que fazer um novo pedido e pagar de novo a taxa do INPI. Ela é paga direto ao INPI, não passa por nós.

Tem outro ponto que pesa. Ao avaliar se dois nomes podem ser confundidos, o examinador olha a afinidade entre os produtos, ou seja, o quanto eles parecem da mesma origem aos olhos do consumidor (Manual de Marcas do INPI, item 5.11.2, pág. 182). Entre os fatores, o Manual cita canais de distribuição e público-alvo: produtos vendidos nos mesmos pontos de venda, ou pro mesmo consumidor, podem ser considerados afins (Manual de Marcas do INPI, item 5.11.2, pág. 180). Santa de gesso e santa de porcelana costumam dividir a mesma loja e o mesmo cliente. Mesmo assim, quem decide é o examinador do INPI, e eu não consigo adiantar o que ele vai concluir.

Quantos já disputam a classe 20?

Não acredita em mim? Confere. Hoje, 06 de outubro de 2026, fiz uma busca pública na base do INPI, no modo que procura o pedaço da palavra dentro de outros nomes. Usei o termo 'arte' na classe 20 e apareceram 2672 processos.

Calma: esse número é só do pedaço 'arte'. Ele não diz quantos pedidos têm o seu nome, só mostra como a classe 20 é movimentada. O que importa é a busca com o SEU nome.

Passo a passo pra refazer:

  1. Entre em busca.inpi.gov.br/pePI (base pública, gratuita).
  2. Abra a busca de marca.
  3. Escolha o modo que procura o pedaço da palavra dentro de outros nomes.
  4. Digite o termo (aqui foi 'arte') e filtre pela classe 20.
  5. Confira o total de processos e abra os que têm nome parecido com o seu.

O número muda a cada dia, então o seu resultado pode sair diferente do meu. Os nomes dos menus também podem mudar um pouco com o tempo. Se travar em algum passo, é só chamar.

Uma classe resolve? A conta honesta

Quando a classe 20 sozinha resolve: se tudo o que você faz e vende é de gesso, madeira, resina ou plástico (santas, estatuetas, esculturas, crucifixos, bustos, taças de premiação), a classe 20 cobre o seu produto.

Quando a vizinha entra junto: se você também trabalha com porcelana, cerâmica, argila ou vidro, esse pedaço do negócio está na classe 21. Aí são duas classes. O mesmo vale se você tem uma linha que cai em outra gaveta, como brinquedo (28) ou tábua de corte (21).

Mais classe não é mais proteção por si só. Cada classe protege aquilo que ela descreve. Colocar uma classe que não tem a ver com o seu negócio só aumenta o custo. A pergunta certa é: o que eu faço, ou vou fazer de verdade?

A conta:

  • Assessoria da Dona da Marca, uma classe: R$ 599,90 (Pix, boleto, ou até 3x sem juros no cartão). Inclui busca de anterioridade, definição da classe e da especificação, e o depósito do pedido.
  • Cada classe a mais: R$ 299,95. Duas classes ficam em R$ 899,85.
  • Taxa do INPI, por classe: R$ 880,00, ou R$ 440,00 para pessoa física, MEI (Microempreendedor Individual), ME (microempresa) e EPP (empresa de pequeno porte). É paga direto ao INPI, no nome do cliente, não passa por nós. Cada classe paga a sua.
  • Acompanhamento mensal, opcional: R$ 39,90 por mês, à parte.

Quer ver como está o seu nome antes de decidir qualquer coisa? A busca de anterioridade é gratuita no site do INPI, e você pode refazer os passos acima. Se quiser uma mão pra interpretar o que apareceu, me conta o nome e o que você faz.

Pra continuar

Este artigo é o zoom num item só. O quadro inteiro da classe está em marca na classe 20: o que cabe e o que fica de fora. Se o seu ramo é outro, a tabela de classe por ramo cobre as 45 classes. E se você só quer saber se o nome ainda está livre, a página inicial da Dona da Marca faz a busca gratuita.

Perguntas rápidas

Qual a classe para registrar marca de imagens e estatuetas de gesso, resina e madeira?
É a classe 20 da Classificação de Nice, publicada pelo INPI. Na lista oficial dela aparecem estatuetas, estátuas, bustos, crucifixos e obras de arte de madeira, cera, gesso, plástico ou resina. Quem examina o pedido é o INPI.
Estatueta de porcelana ou cerâmica também é classe 20?
Não. Figuras e estátuas de porcelana, cerâmica, faiança, terracota, argila ou vidro estão na classe 21. Quem trabalha com os dois materiais pode precisar das duas classes.
Quanto custa registrar a marca na classe 20?
A assessoria da Dona da Marca custa R$ 599,90 por uma classe, e cada classe a mais custa R$ 299,95. A taxa do INPI é à parte: R$ 880,00 por classe, ou R$ 440,00 para pessoa física, MEI, ME e EPP, paga direto ao INPI, no nome do cliente, e não passa por nós.
Se eu errar a classe, posso corrigir depois?
Não dá pra prometer que a correção seja simples. Se o pedido ficar numa classe que não cobre o que você vende, pode ser preciso fazer um novo pedido, com nova taxa do INPI. Por isso a gente confere o material do produto antes de depositar.