Onde equipamentos de musculação e fitness mora no INPI: a classe 28
Quando você pede o registro de uma marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), precisa dizer em qual classe ela fica. A classe é a 'gaveta' que diz para que tipo de produto ou serviço o nome vale. Quem organiza essas gavetas é a Classificação de Nice, uma lista internacional que o INPI publica e usa.
O texto oficial da classe 28 na Classificação de Nice publicada pelo INPI diz: “Jogos e brinquedos; aparelhos de videogame; artigos para ginástica e esporte; decorações para árvores de Natal.” Os equipamentos de musculação e fitness entram em 'artigos para ginástica e esporte'.
Na lista oficial da classe 28, o assunto aparece escrito assim:
- “Aparelhos para musculação”
- “Aparelhos para exercícios físicos”
- “Halteres”
- “Pesos [halteres]”
- “Pesos para exercícios”
- “Extensores para exercícios”
- “Bicicletas fixas para exercício”
- “Blocos de ioga”
Ou seja, halter, kettlebell (o peso com alça), extensor elástico e bicicleta ergométrica têm casa certa na 28. Quando o produto está escrito assim na lista, o pedido fica mais claro. O Manual de Marcas do INPI diz que as listas de classificação são relativamente extensas e que é provável encontrar nelas um exemplo do produto desejado (Manual de Marcas do INPI, item 10.1, pág. 355).
A fronteira: quando NÃO é classe 28
É aqui que muita marca de fitness se atrapalha. O colchonete de academia, o tatame e o tapete de ioga não são classe 28. Eles ficam na classe 27, que o texto oficial descreve como “Carpetes, tapetes, capachos e esteiras, linóleo e outras coberturas para assoalhos; Colgaduras que não sejam em matérias têxteis.” Na lista oficial da 27 aparecem “Colchonetes [tapete] de academia”, “Tapetes para ioga” e “Tatames”.
O detalhe que pega: o bloco de ioga é 28, mas o tapete de ioga é 27. A bicicleta que roda na rua também não é 28, porque é classe 12. A ergométrica, a fixa, é 28.
Imagina uma pessoa que abre uma marca de acessórios de treino e vende halter, extensor e colchonete, tudo com o mesmo nome. Ela pede o registro só na classe 28, porque 'é fitness'. O nome fica protegido para os halteres e extensores, mas não para o colchonete, que é da classe 27. Para o que está na 27, ela fica sem proteção no que importa.
Ela pode descobrir isso no meio do caminho. O Manual explica que, quando a especificação (a lista do que você vende) não combina com as classes pedidas, o INPI pode fazer uma exigência. Nela, o requerente paga retribuição complementar pela inclusão de novas classes ou indica quais produtos quer excluir (Manual de Marcas do INPI, item 5.4.2, pág. 95). Em português claro, é pagar mais depois ou abrir mão de itens. Acertar a classe antes costuma sair mais barato do que corrigir depois.
Outro ponto: o Manual diz que produtos que compartilham os mesmos canais de venda ou o mesmo público-alvo podem ter maior afinidade mercadológica, ou seja, o consumidor pode achar que vêm da mesma fonte. Isso não é um critério definitivo (Manual de Marcas do INPI, item 5.11.2, pág. 180). Halter e tapete de ioga costumam ser vendidos na mesma loja, para o mesmo público. A decisão sobre isso é sempre do examinador do INPI.
Quantos já disputam o nome: confira você mesmo
Fiz uma busca na base pública do INPI hoje, 06 de outubro de 2026. Usei o termo “fit” na classe 28, no modo que procura o pedaço da palavra dentro de outros nomes. Apareceram 1338 processos.
Esse número mostra só que 'fit' é um pedaço de palavra muito usado no mundo fitness. Não diz que o seu nome vai ou não passar. Quem avalia a semelhança entre dois nomes e a afinidade entre os produtos é o examinador do INPI (Manual de Marcas do INPI, item 5.11.2, pág. 182).
Não acredita em mim? Confere. O passo a passo:
- Abra busca.inpi.gov.br/pePI.
- Entre na consulta de marcas, que é a busca pública, sem pagar nada.
- Escolha o modo que procura o pedaço da palavra dentro de outros nomes. Os nomes dos botões podem mudar com o tempo.
- Digite o termo (aqui, “fit”) e filtre pela classe 28.
- Repita com o seu nome e com variações de escrita dele.
O número pode ser diferente se você refizer em outra data, porque a base muda todos os dias.
Uma classe resolve? A conta honesta
A classe 28 sozinha costuma bastar quando você vende só o que está na lista dela: halteres, pesos, extensores, aparelhos de musculação, bicicleta ergométrica, bloco de ioga. A classe 27 entra junto quando o seu catálogo tem colchonete de academia, tatame ou tapete de ioga com o mesmo nome. Se você tem dúvida sobre onde um produto cai, o Manual prevê uma consulta oficial à comissão de classificação do INPI, com retribuição específica (Manual de Marcas do INPI, item 10.1, pág. 355).
Os valores, por classe:
- Assessoria da Dona da Marca: R$ 599,90 por uma classe. Cada classe a mais custa metade, R$ 299,95. Duas classes (28 e 27) ficam em R$ 899,85.
- Taxa do INPI: R$ 880,00 por classe, paga direto ao INPI, no nome do cliente, não passa por nós. Pessoa física, MEI (Microempreendedor Individual), ME (microempresa) e EPP (empresa de pequeno porte) pagam metade, R$ 440,00 por classe. Cada classe paga a sua taxa. A guia é a GRU (Guia de Recolhimento da União).
- Acompanhamento mensal: R$ 39,90 por mês, opcional e à parte. Ele acompanha o processo até o registro sair e, depois, vigia a base do INPI atrás de nomes parecidos.
Mais classe não é mais proteção por si só. Cada classe protege o que está dentro dela, e a que você não usa só aumenta a conta. A pergunta certa é: o que eu realmente vendo, hoje e no próximo ano?
Quer ver como está o seu nome antes de decidir qualquer coisa? A busca é gratuita e você pode começar agora mesmo. Se preferir, me conta o nome e o que você vende, e eu te ajudo a olhar com calma.
Pra continuar
Este artigo é o zoom num item só. O quadro inteiro da classe está em marca na classe 28: o que cabe e o que fica de fora. Se o seu ramo é outro, a tabela de classe por ramo cobre as 45 classes. E se você só quer saber se o nome ainda está livre, a página inicial da Dona da Marca faz a busca gratuita.